quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Na ausência do olhar dos ocidentais, torno-me eu o meu próprio ocidental

Istambul, Orhan Pamuk

"Nos anos 50 e 60 do século XX, a Turquia via-se a si mesma como um lugar provinciano, ainda que Istambul,  geograficamente, se localizasse na Europa. Como a maioria da humanidade, a Turquia sentia-se  fora da história. A história fazia-se em Londres, Paris, Nova Yorque. Ainda hoje, os turcos partilham com 90% da humanidade este sentimento de não estar a fazer a história, de ser provinciano, de imitar o centro.Isto é extremamente comum no mundo não ocidental. Para acalmar este ressentimento, esta zanga,  sublinhamos as nossas diferenças, sobrevalorizamos as nossas tradições, mas uma parte de nós sabe que não é isso que quer. A atracção pela modernidade ocidental tem sempre, para nós, estes dois lados e porque,  culturalmente, a Turquia é feita deste drama, essa é uma  questão que eu trato quase sempre nos meus romances."

Orhan Pamuk 
Entrevista  no Institute of International Studies
University of California at Berkeley

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