segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

HIstória da Minha Vida I _ Giacomo Casanova


À La Civette

"Saímos do Palais Royal pela porta principal e vejo à minha direita muita gente reunida diante duma loja cuja tabuleta era uma civeta.
_ Que é aquilo?
_ Agora é que vos ides rir. Todas estas pessoas estão à espera de comprar tabaco.
_ Então só se vende nesta loja?
_ Vende-se por toda a parte; mas desde há três semanas ninguém quer ter na tabaqueira um tabaco que não seja da Civette.
_ É melhor que os outros?
_ De modo algum; mas desde que a senhora duquesa  de Chartres o pôs em moda só querem este."

                                                       História da Minha Vida I _ Giacomo Casanova






 Fundada em 1716, À La Civette, junto ao  Museu do Louvre, é a mais antiga tabacaria de Paris.
 Louis-Philippe d'Orléans, Casanova, Voltaire, Churchill foram alguns dos seus clientes mais famosos.


 Giovanni Ambrogio Migliavacca

"Eis-me na capital da Áustria pela primeira vez com a bela idade de vinte e oito anos.Tinha alguns bens pessoais mas quase nenhum dinheiro; logo, tinha de fazer economias até ao retorno de uma letra de câmbio que sacara sobre o senhor de Bragadin. Não tinha nenhuma carta, excepto uma do poeta Migliavacca, de Dresden, que me recomendava ao ilustre abade Metastasio, que eu tanto desejava conhecer"
                                                                        História da Minha Vida I _ Giacomo Casanova

Migliavacca


 Giovanni Ambrogio Migliavacca nasceu em Milão em 1718 e, com apenas dezoito anos, fez-se notar no ambiente literário da cidade por ter sido o curador de uma recolha de Applausi Poetici dedicada ao general  A. M. de Noailles. Passou, então, a  fazer parte da elite iluminista da cidade,  ingressando na prestigiada Academia dos Filodossi. Inicialmente hesitante entre a carreira das letras e a diplomacia, optou por esta última, mas com a morte do seu protector, Carlos Alberto da Baviera, em 1745, esta carreira ficou seriamente ameaçada  e Migliavacca decide  regressar às letras, entrando em contacto com o poeta Metastasio que vivia em Viena e de quem passou a ser o secretário. Esta ida para Viena permitiu-lhe contactar com a entourage intelectual de Metastasio, nomeadamente  artistas ligados à ópera e em 1750 escreve o seu primeiro libreto Armida placata, reprsentada em Madrid por ocasião do casamento da Infanta Maria Antónia Fernanda com o príncipe herdeiro da Sardenha. Depois de algumas tentativas e sempre com a ajuda de Metastasio, MIgliavacca torna-se poeta da corte da Saxónia e muda-se para Dresden. Nos primeiros tempos da sua permanência ainda equaciona a oportunidade de se transferir para o serviço do rei de Portugal, mas o sucesso conseguido com a representação de Solimano em1753 (música de Hasse) consolida a sua posição em Dresden e decide ficar. A ópera Solimano foi um espectáculo impressionante pela opulência cénica e do ponto de vista do libreto constitui um exemplo do exotismo iluminado, ponto de referência para todas as turqueries das óperas seguintes, inclusivé do Rapto do Serralho de Mozart. O texto procura construir uma ópera para ver, em que a tónica é posta no aparato de  grandiosas cenas de costumes. Este "drama para música" foi o libreto de Migliavacca mais musicado (houve 32 produções diferentes em vários países europeus com a participação de dezanove compositores num lapso de tempo de pouco menos de cinquenta anos). Em 1760, por ocasião do casamento em Viena  de Isabel de Bourbon-Parma com o futuro imperador José II de Áustria, MIgliavacca escreve Tetide, serenata em dois actos com música de Gluck que se seguiu nos festejos ao drama  Alcide al bivio di Metastasio e Hasse e que, tal como este, também apresenta uma ambiência mitológica povoada de divindades marinhas. As cenas do casamento estão representadas em cinco grandes pinturas no salão das  Cerimónias de Schönbrunn. Numa delas é evocada a representação de Tetide com uma vista sobre os espectadores entre os quais se pode ver Mozart criança, sentado atrás do pai. 







 Ainda em Viena, em 1761, foi levada à cena a ópera Armida sob os auspícios do Conde de  Durazzo que se valeu da redacção de Migliavacca. Com um  libreto  trabalhado  por Quinault e   música de  Traetta, esta Armida é uma primeira tentativa de fusão entre a ópera francesa e ópera italiana como anunciado pelo próprio  Migliavacca no prefácio da segunda edição, uma fusão que, de facto, só terá lugar anos mais tarde pela mão de   Gluck.
 No ano seguinte,  Migliavacca escreve a festa teatral em uma acto Acide e Galatea, que foi musicada por Haydn. Nesse mesmo ano, por ocasião do parto de Isabel de Bourbon-Parma foi representada  a serenata Prometeu Absoluto com música de Wagenseil.





                              





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