quarta-feira, 11 de março de 2026

Ciclo de Conferências do Clube de leitura da EASR

 

                                                            O PARADOXO da FELICIDADE 


                                                                     por Maria Amélia Correia


                                                       EARS 25/02/2026

                              Breve Sumário da conversa sobre o paradoxo da felicidade

 

Ponto de partida:

Nos nossos dias o direito à felicidade tornou-se um dever e até uma obsessão, de tal maneira que as pessoas se sentem obrigadas a viver numa euforia perpétua (Pascal Bruckner).

Numa era em que o melhoramento contínuo das condições de vida, e o melhor-viver se tornou o fim supremo das sociedades democráticas, encontramo-nos numa nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo (Gilles Lipovetsky).

Nada é verdadeiramente proibido, o individuo é soberano, portanto responsável pelo seu destino, esta crença que se impõe como uma tirania conduz à infelicidade íntima e à depressão (Alain Ehremberg).

 

Breve percurso histórico-filosófico como tentativa de explicação desta situação:

 

- As escolas filosóficas da decadência grega e a procura da felicidade como fim último da Filosofia. O ideal da ataraxia (ausência de perturbação). Estoicismo, Epicurismo e Cepticismo.

 

- A Idade Média - a felicidade só se encontra na vida extraterrena. A ideia de salvação baseada na ascese, na renúncia e extinção do desejo.

 

- A modernidade e a reivindicação da felicidade neste mundo. O século XVIII contra as tiranias da religião e todas as morais lança o “carpe diem”. A exigência da felicidade e o elogio da libertinagem.

- Voltaire e a exigência da felicidade aqui e agora.

- Kant a impossibilidade de definir objetivamente as formas de vida feliz, só a imaginação com poder da subjectividade é capaz neste terreno. Por isso é que a filosofia que pretende ensinar-nos uma arte de viver uma vida feliz apoiando-se em princípios desconhece os seus limites e falha. O facto de ser impossível definir objectivamente as formas de vida feliz não deve levar-nos a renunciar a ela.

- Schopenauer a felicidade corresponde a uma determinação negativa porque se trata de escapar ao sofrimento e ao aborrecimento que são os dois polos da existência.  Do mundo não se pode esperar nada de bom. A serenidade encontra-se numa espécie de quietude nihilista.

- Nietzche tem uma impaciência da felicidade que se consegue através da intensificação de todas as possibilidades de sentir a vida na sua totalidade. A felicidade para ter um sentido deve ser um enorme esforço para superar as forças que nos conduzem à renúncia, à lamentação e ao pessimismo

- Freud a felicidade está ligada ao princípio do prazer que choca com o princípio da realidade, logo só há prazeres fugazes. Na sua obra “Mal-estar da civilização” afirma que a civilização pelas suas características próprias reprime o desejo, portanto jamais podemos ser felizes.

 

Discussão final sobre as ideias chave do ponto de partida, com dados das três obras supracitadas.

 

 Bibliografia:

Abbagnanno, Nicola História da Filosofia, Lisboa Editorial Presença,1970

Bruckner, Pascal L’euphorie perpétuelle essai sur le devoir de bonheur, Paris Grasset, 2000.

Ehrenberg, Alain La Fatigue d’être soi dépression et société, Paris, Éditions Odile Jacob,1998.

Lipovetsky, Gilles Le Bonheur paradoxal essai sur la société d’hyperconsommation, Paris, Gallimard, 2006.

Revel, Jean François História da Filosofia Ocidental, Lisboa, Moraes Editores, 1971.  

 

Maria Amélia de Lencastre V. Correia


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