O PARADOXO da FELICIDADE
por Maria Amélia Correia
EARS 25/02/2026
Breve
Sumário da conversa sobre o paradoxo da felicidade
Ponto de partida:
Nos nossos
dias o direito à felicidade tornou-se um dever e até uma obsessão, de tal
maneira que as pessoas se sentem obrigadas a viver numa euforia perpétua
(Pascal Bruckner).
Numa era em
que o melhoramento contínuo das condições de vida, e o melhor-viver se tornou o
fim supremo das sociedades democráticas, encontramo-nos numa nova fase do
capitalismo: a sociedade do hiperconsumo (Gilles Lipovetsky).
Nada é
verdadeiramente proibido, o individuo é soberano, portanto responsável pelo seu
destino, esta crença que se impõe como uma tirania conduz à infelicidade íntima
e à depressão (Alain Ehremberg).
Breve
percurso histórico-filosófico como tentativa de explicação desta situação:
- As escolas
filosóficas da decadência grega e a procura da felicidade como fim último da
Filosofia. O ideal da ataraxia (ausência de perturbação). Estoicismo,
Epicurismo e Cepticismo.
- A Idade
Média - a felicidade só se encontra na vida extraterrena. A ideia de salvação
baseada na ascese, na renúncia e extinção do desejo.
- A modernidade e a reivindicação da
felicidade neste mundo. O século XVIII contra as tiranias da religião e
todas as morais lança o “carpe diem”. A exigência da felicidade e o elogio da
libertinagem.
- Voltaire e a exigência da felicidade
aqui e agora.
- Kant a impossibilidade de definir objetivamente as formas de vida
feliz, só a imaginação com poder da subjectividade é capaz neste terreno. Por
isso é que a filosofia que pretende ensinar-nos uma arte de viver uma vida
feliz apoiando-se em princípios desconhece os seus limites e falha. O facto de
ser impossível definir objectivamente as formas de vida feliz não deve
levar-nos a renunciar a ela.
- Schopenauer a felicidade corresponde a uma determinação negativa porque
se trata de escapar ao sofrimento e ao aborrecimento que são os dois polos da
existência. Do mundo não se pode esperar
nada de bom. A serenidade encontra-se numa espécie de quietude nihilista.
- Nietzche tem uma impaciência da
felicidade que se consegue através da intensificação de todas as possibilidades
de sentir a vida na sua totalidade. A felicidade para ter um sentido deve ser
um enorme esforço para superar as forças que nos conduzem à renúncia, à
lamentação e ao pessimismo
- Freud a felicidade está ligada ao princípio do prazer que choca com
o princípio da realidade, logo só há prazeres fugazes. Na sua obra “Mal-estar
da civilização” afirma que a civilização pelas suas características próprias
reprime o desejo, portanto jamais podemos ser felizes.
Discussão final sobre as ideias chave
do ponto de partida, com dados das três obras supracitadas.
Bibliografia:
Abbagnanno, Nicola
História da Filosofia, Lisboa Editorial Presença,1970
Bruckner,
Pascal L’euphorie perpétuelle essai sur le devoir de bonheur, Paris
Grasset, 2000.
Ehrenberg,
Alain La Fatigue d’être soi dépression et société, Paris, Éditions Odile
Jacob,1998.
Lipovetsky,
Gilles Le Bonheur paradoxal essai sur la société d’hyperconsommation,
Paris, Gallimard, 2006.
Revel, Jean
François História da Filosofia Ocidental, Lisboa, Moraes Editores, 1971.
Maria Amélia
de Lencastre V. Correia
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